Não sou da escola positivista, mas tenho fortes motivos para acreditar que alguns acontecimentos históricos se repetem. Vivemos um tempo marcado por muitos elementos dos dias de Amós. Principalmente no que diz respeito a uma espiritualidade caracterizada por ritos pagãos cada vez mais enraizados na adoração cristã e a hipocrisia de se sacrificar a Deus em meio à indiferença social. Essas, o paganismo crescente e a injustiça social, foram duas das ênfases mais fortes da denúncia profética do boieiro que se tornou profeta.O profeta usa verbos fortes como “aborreço”, “desprezo” (v. 21), “não me agradarei delas”, para expressar a repulsa de Deus à adoração de seu povo. O Senhor não consegue sentir o cheiro dessa adoração fingida e destituída de espírito. Ele não aceitava o sacrifico deles, uma vez que a verdadeira adoração deve começar no coração dos adoradores. Os israelitas transformaram a adoração em mero ritualismo e o faziam quase que mecanicamente. Achavam que se cumprissem as exigências externas da adoração Deus ficaria satisfeito. Porém, não adianta um sacrifício externo quando o interior está cheio de pecado (cf. Sl 51.16, 17).
Em seguida, o profeta faz duas advertências, uma negativa (v. 23) e outra positiva (v. 24). Negativamente, Deus exige que parem as expressões de adoração mais fervorosas, a música. Ele não suporta ver uma adoração fingida que se alegra em meio ao pecado. Quando tudo estava mal, esses falsos adoradores adoravam a Deus com alegria. Deus estava muito irado, a ponto de proibir algo que muito lhe agrada (cf. Sl 33.2, 3). Positivamente, Deus exige que a adoração seja acompanhada de justiça (v. 24). Sem este elemento não há verdadeira adoração. A adoração verdadeira é fruto de uma constante vida de serviço fiel e devoto a Deus, que expressa na prática aquilo que se é por dentro. O caminho percorrido pela adoração não pode ser de fora para dentro, mas de dentro para fora. Ela flui de um coração puro e regenerado por Deus. Aqueles que procuram adorar o nome de Deus devem ser aqueles que honram o caráter de Deus tanto em palavras como em ações.
Estou cansado de ver “cristãos” professos com suas mãos erguidas em adoração no templo enquanto na rua e nos negócios são velhacos, trapaceiros, mentirosos, subornadores, sonegadores e briguentos. Em casa, são péssimos maridos, grosseiros e desamorosos, ou péssimas esposas, rixosas e tolas, ou péssimos filhos, desobedientes e respondões, mas na companhia da igreja aparentam piedade e devoção. Não posso crer que Deus se agrade das mãos erguidas e dos clamores “apaixonados” daqueles que não se dispõem, antes, a descer à cruz de Cristo em piedade autêntica e íntima. Os escândalos dos evangélicos (seja em nível nacional ou local) se multiplicam à proporção em que esta igreja criada no berço da mídia e dos empresários da fé aumenta.
Além disso, à semelhança dos israelitas dos tempos de Amós, temos nossa própria dose de paganismo. O misticismo católico romano misturado com as crenças africanas incrustada no povo brasileiro introduziu o apresso a relíquias sagradas, superstições e os cultos que mais parecem uma expressão religiosa da umbanda ou alguma outra religião afro-brasileira. A pureza e simplicidade do culto cristão foram substituídas por elementos pagãos de modo a formar uma nova expressão religiosa sincrética. Enquanto nos perdemos nesse sincretismo, os “profetas” da terra cantam sobre a “geração do avivamento” e reúnem multidões com suas promessas de “chuvas de bênçãos”. Talvez seja mais sábio chorar clamando por misericórdia ao ouvir: “Desprezo as vossas festas e com as vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer [...] Antes, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene” (Am 5.21, 24).
No caso de Amós, a solução foi o cativeiro. Talvez estejamos em um nível tal que seja necessária uma ação drástica como aquela.
Que Deus nos ajude.





2 comentários:
Graça e paz..
Que Deus nos ajude mesmo, pois somente através do socorro d’Ele poderemos nos livrar de tantas falsidades entre o povo cristão. É triste, mas infelizmente é uma realidade, tenho visitado algumas congregações e denominações diversas que surgem todos os dias aqui na capital, é preciso ter muito discernimento para não se deixar enganar, os falsos profetas estão em todos os lugares, é incrível como a pregação e os louvores sempre estão voltados para o homem, deixam de adorar ao criador e simplesmente o tratam como um “boneco” que tem que satisfazer suas vontades a qualquer preço, a centralização do “eu” está cada vez mais visível. Somente a misericórdia de Deus para nos livrar disso.
Yahweh Nissi
Amigo, Pr. Diego
Saudações. É com muita tristeza que vejo como algumas igrejas tem se desviado do seu objetivo, vemos pessoas buscando um deus de “Sucesso” apenas. Pessoas entram em igrejas atrás de sucesso, dinheiro, cônjuges, entre outras coisas que estão fora dos padrões bíblicos. Já não se houve falar em “pecados” ou mesmo “arrependimento”. "Dizem eles... Venha para cá que você será curado do seu fracasso financeiro, profissional, casamento, etc. e te..." Precisamos ser curados é dos nossos pecado, acordem para isto.
Amados(s) de nada servirão conquistar bens aqui na terra, se perderes o reino dos céus.
Todos têm que buscar a Cristo para a nossa salvação, esta vida não se resume o só ao que vivemos aqui, estamos apenas de passagem. Busquemos arrependimento e converssão. “Fora”!!! com o “Evangelho da Prosperidade” Arrependei-vos todos!
P.S. Texto maravilhoso PR. Diego.
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