sábado, 11 de abril de 2009

Cordeiro Pascal

Abstendo-me de uma discussão mais aprofundada a respeito das influências pagãs sobre a moderna festa da páscoa no ocidente, transcrevo, abaixo, apenas uma pequena meditação sobre a essência desses dias que nos trazem lembranças tão sublimes. Bendito seja "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo".


Talvez nenhum feriado seja tão delicioso quanto o da páscoa. As festas são aromatizadas com o doce cheiro dos ovos de chocolate. A criançada adora ver um coelhinho engraçado levando sobre os ombros uma sacola repleta deles. E a família, geralmente distante, se reúne em torno da mesa para celebrar o vinho e a vida.

O trágico de tudo isso, no entanto, é que o verdadeiro sentido da páscoa tem se perdido no tempo. Até mesmo os de fé evangélica têm compreendido mal o espírito da época. Os ovos confeitados e os coelhos têm roubado a cena. O feriado tem sido mais esperado que a lembrança que estes dias pretendem avivar em nossa mente.

Em uma quinta-feira como a passada o nosso Senhor Jesus gozava a companhia dos seus amigos em uma última ceia. João se reclinara ao seu peito enquanto Judas o apunhalava pelas costas. Traído por seu amigo íntimo, o Filho de Deus estava às portas de ser imolado como o Cordeiro pascal prometido desde antes da fundação do mundo. Prestes a derramar o sangue que devia ser o nosso e a carregar a cruz cuja inscrição levava o meu nome e o seu.

Na cruz, o Cordeiro de Deus aspergiu seu sangue sobre as ombreiras de nossas almas a fim de que o Anjo da morte passasse por cima de nossas vidas (cf. Êx 12.1-28). Por seu sacrifício, a ira de Deus foi desviada de sobre nós. As cadeias que nos escravizavam ao pecado e à morte foram esmiuçadas. Fomos libertos da culpa que pesava sobre nós ante o tribunal do Supremo Juiz, e a inimizade que nos afastava de Deus, desfeita.

Em um dia de páscoa o Cordeiro de Deus foi mesquinhamente traído por mixaria. Injustamente julgado e declarado culpado por crimes que não cometera. Em uma “sexta-feira da Paixão” ele fora entregue a Pilatos por pura inveja. Pilatos, por sua vez, entregá-lo-ia aos soldados lavando covardemente suas mãos. Os soldados, escarnecendo o Senhor da Glória – aquele que sempre nos amou e mesmo no clímax de toda esta injustiça achou-se misericordioso para interceder por nós (“perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”), crucificaram-no cruel e impiedosamente em nossa cruz.

“Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5.7). Eis aí a páscoa que o mundo esqueceu. Nestes dias, traga à memória aquilo que te trouxe perdão e salvação. Tente não esquecer o “dono” da festa. Tente não substituir o Cordeiro pelo coelho. Ele “padeceu fora da porta (...) saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando seu opróbrio” (Hb 13.12). Ao terceiro dia, o Cordeiro de Deus ressurgiu coroando de glória seu sacrifício e efetivando nossa salvação.

O verdadeiro sentido da páscoa é Cristo sacrificado por nós, “pelo que celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade” (1 Co 5.8). Amém.

Solus Christus

4 comentários:

Ary Q. Jr. disse...

Olá, mano. Li seus textos hoje. Obrigado pela mensagem sobre a páscoa. Ela aqueceu minha alma!
Deus te abençoe!
Ary Queiroz Jr.

[M]. Cartágenes disse...

Amigo e irmão em Cristo, já venho acompanhando seu blog desde a postagem do texto "Eu Protesto!". Foi-me útil não só como homem mas também como servo do Altíssimo.

Linkei seu blog ao meu para que outros também comunguem dessa metanóia!

Paz.

Mensagens lindas disse...

Paz e graça, Diego, mas uma mensagem sua fala ao meu coração. obrigada pelas palavras sábias que compartilha conosco.
Yahweh Nissi

Anônimo disse...

A paz

Querido

A cena continua se repetindo, Jesus sozinho no monte calvario e o povo em festa pela saido egito, no centro de Jerusalem.