sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Eu Protesto!

O movimento protestante do século 16 carrega em seu nome o sentimento que lhe permitiu nascer: o sentimento protestante. Este sentimento marcou a vida de personagens que dedicaram suor e sangue às causas em que acreditavam e defendiam. Foi assim com John Huss, John Wycliffe, Lutero, e tantos outros “ilustres desconhecidos”. No limiar de transformações históricas tão abrangentes e marcantes, estes homens protestaram contra o abandono dos fundamentos neotestamentários por parte da igreja oficial e o status quo, em grande parte, alimentado por ela.

O protesto marcou o começo e deve caracterizar o presente. Somos um povo chamado ao não-conformismo. Desde o Sermão da Montanha a ordem é para vivermos na “contra-cultura” do mundo. Paulo nos adverte a não nos conformarmos a este presente mundo mal (Rm 12.2). E porque o protesto está na essência da vida cristã, não é anacronismo aplicar a expressão “protestantes” à igreja atual. Aliás, a falta de protesto é uma das marcas do fracasso evangélico brasileiro.

Temos muito a protestar. Então, resolvi começar o ano publicando alguns protestos pessoais. Tentarei resumi-los em algumas poucas frentes sem observar nenhuma disposição lógica. Certamente, muitos protestos importantes e observações relevantes ficarão de fora. O leitor pode complementar a lista, caso deseje.


1. Protesto contra o silêncio dos evangélicos nas discussões de âmbitos sociais, políticos e econômicos de nosso país.

2. Protesto contra a inércia da Igreja frente aos desafios sociais de nossa sociedade desigual e preconceituosa. Os extremos teológicos e as práticas mal-intencionadas de alguns não podem servir de pretextos para o nosso não engajamento.

3. Protesto contra a artificialidade da maior porção do evangelicalismo brasileiro que vive e proclama um evangelho inclusivista da graça barata. Nesta artificialidade brotaram as raízes da falta de moral, da ética e o abandono das verdades fundamentais do cristianismo bíblico.

4. Protesto contra a banalização do ministério pastoral no Brasil, onde qualquer um pode ordenar (ou mesmo se auto-ordenar) qualquer outro ao sagrado ministério. Assim, é multiplicado o número de “pastores” mercenários, empresários da fé e picaretas que, por não serem capazes de exercer nenhuma outra profissão (ou por vislumbrarem maiores lucros no comércio religioso), se aproveitam da boa-fé e ignorância do povo, acumulando por onde passam a má fama de velhacos, briguentos, desonestos, ladrões, promíscuos e levianos, pela qual pagam os verdadeiros vocacionados.

5. Protesto contra os púlpitos vendidos à psicologizações, teorias freudianas, mensagens de auto-ajuda, marketings e excentricidades de personalidades midiáticas.

6. Protesto contra a pobreza musical e poética dos evangélicos brasileiros. São tantas músicas ruins lançadas diariamente que já é difícil selecionar algo relevante para se ouvir.

7. Protesto contra a enxurrada de músicas evangélicas que não dizem nada e, portanto, não acrescentam nada à vida cristã, mantendo-se assim abaixo da dignidade do Deus a quem pretendem exaltar. São muitas as canções produzidas para se vender, ao invés de objetivarem adorar a Deus e ensinar verdades. Hoje, canção evangélica vendável precisa falar de “vento”, “chuva”, “água”, “fogo”, “vitória”, “restituição”, “restauração” e outros chavões da moda.

8. Protesto contra a mercantilização da fé evangélica. O cristianismo do Senhor que não tinha onde reclinar a cabeça se tornou a mina de ouro e fonte de poder dos já magnatas evangélicos e moeda de troca das camadas de baixo da comunidade evangélica.

9. Protesto contra os pastores da mídia e artistas evangélicos que estão enriquecendo às custas do povo brasileiro já tão sofrido. Alguns deles cobram fortunas para exercerem seus “ministérios” em outras igrejas e para suas apresentações. Isso é ministério? Não para Paulo (cf. 1 Co 9.18).

10. Protesto contra a desonestidade de liberais que não pregam em suas igrejas o que ensinam na academia. Fazem isso ou por medo de perderem o emprego ou por saberem que a teologia que lecionam mataria sua igreja.

11. Protesto contra a enxurrada de novos seminários teológicos que são abertos com fins unicamente lucrativos. Eles exigem o mínimo dos alunos e têm muito pouco a oferecer a nível acadêmico. São meios de se conseguir um diploma fácil com uma carga horária diminuta. O resultado disso são pastores e professores de teologia despreparados. “Teólogos” de cabeças ocas devidamente reconhecidos pelo MEC.

12. Protesto contra os seminários teológicos confessionais que não buscam se enquadrar às exigências do MEC. No geral, são de alto nível teológico e acadêmico, mas privam seus alunos do reconhecimento sob as leis do Estado.

13. Protesto contra as igrejas que “matam” seus pastores sobrecarregando-os de atividades e desviando-os de seu chamado à Palavra e à Oração.

14. Protesto contra os pastores que “matam” suas igrejas privando-as de uma pregação expositiva fiel às Escrituras e de um pastorado regado a oração e amor. Elas morrem de inanição espiritual.

15. Protesto contra meus próprios pecados. Não me conformo em ser como sou. Viverei sob a hipótese de ser possível atingir a plenitude da santidade ainda nesta vida.

16. Protesto contra cada um desses protestos, caso não sirvam a mim e aos leitores como um incentivo a lutar pela inversão das realidades que eles pretendem denunciar.


Soli Deo Gloria.

12 comentários:

Waggner disse...

Li com entusiasmo os protestos postados em Themélios. Há referencias multiplas dos pecados da nossa moderna estrutura eclesiástica. Há muitos desvios na Santa Igreja do Senhor, mas ela não é submersa mostrando que a sua sustentabilidade é provida na Graça de Deus e não na habilidade humana.Deixo meu protesto para todos aqueles que erroneamente pensam no crescimento da igreja como resultado de uma "Ciência Estratégica". Em especial, aqueles cujo ministério é personalista, os quais edificam a igreja sobre outro fundamento e não Cristo. Qualqer teologia (como arminianismo) ou sistema eclesiástico (como por exemplo: modelo "eficaz" de crescimento) que rouba a glória de Deus é pervertido e inimigo da cruz de Cristo, portanto reprovável diante do rigoroso crivo cânonico. SOLA GRATIA

Israelito Almeida disse...

Oi !!!

Aqui estou passando mais uma vez.
E muito feliz, pois continuas com uma postura correta.
Que Deus continue teusando cada vez mais e que você mantenha a humildade e o equilíbrio.
Humildade para estar sempre na dependência de Deus e equilíbrio
para não cair no erro que outros protestantes cometeram.
Um forte abraço!

Paulo Jr. disse...

Grande Primão.. excelente estudo. Li aqui auto para minha esposa e ela também achou altamente verdadeiro.
Continue a manter sua visão espiritual e escrever essas verdades que com certeza despertaram a muitos mais.
Abraços...

Juliana disse...

Oiii Diegãooo!!!
Olha, concordo plenamente com seus protestos e destaco o protesto 7 e o 15, pois sinto-me como vc mediante tantas músicas sem mensagens e tbm pelo fato de não me conformar em estar como estou...Sinto que preciso buscar cada vez mais ao Senhor em amor, compromisso e fidelidade...Que DEUS te abençoe cada vez mais, fazendo de vc esse eterno vencedor nEle.
Bjão no seu coração!!
Atenciosamente, Juliana de Araújo Silva.

Anônimo disse...

Prezado irmão Diego,
Sou entusiasta leitora de suas mensagens, e afirmo que desta vez você se superou. Quero parabenizá-lo pela coragem, ousadia e discernimento espiritual na manifestação desses PROTESTOS. Que sirvam eles de despertamento aos salvos pela Graça de que somos também chamados a um compromisso sério com Aquele que nos salvou. Continue sendo você alvo das bênçãos do Senhor.
Profa. Jovelina Reis

Laize Medeiros disse...

Ótimos Protestos!! Que nossas vozes cheguem aos céus...
Protesto contra os que não tem coragem para protestar, e aceitam mudos as imposições que o mundo dá!!

Marcos André Júnior disse...

Protesto contra a aversão ao intelectualismo cristão,
pregado por movimentos "cabeça de vento" onde dizem que
a "letra" mata e o "espírito" vivifica, anulando o caráter
e a dedicação pregada por grande Cientistas de Deus, como
Isaac Newton , Michael Faraday, Johannes Kepler, Robert Boyle,
William Thomson, James Clerk Maxwell, Louis Pasteur, Henry Schaefer, Walter Bradley, James Irwin, Benjamin L. Clausen, Adauto Lourenço e tantos outros que mostraram a glória de Deus com base no "estudo do firmamento e das obras de Suas mãos".

Romagna disse...

Excelente postagem, Diego. Concordo plenamente com cada um dos protestos que foram postados aqui.
Mas a lista ainda tem muito a ser acrescida. Protesto contra a indiferença de boa parte da igreja para com os cristãos perseguidos, para com os missionários. Que padecem por amor ao nome de Cristo e são dignos de pelo menos nossas orações. Protesto contra a falta de conhecimento bíblico e histórico, que tem sido a força motriz de tantos escândalos e envergonhado o evangelho de Cristo. Contra a falta de comprometimento com oração e estudo da Palavra, em busca de experiências "espirituais", uma vez que a parte dessas jamais se tem intimidade com o Senhor.

[M]. Cartágenes disse...

Por isso eu acredito, que Deus é razão, e essa razão em sua essência é contagiante, bela.

Comungo de todos os teus "protestos". Metanóia sempre!

ps.: Se não se importa, linkei seu blog ao meu!

Paz em Cristo!

Diego dy Carlos disse...

Olá, irmão [M]. Cartágenes.

Não me importo. Ainda lerei seu blog com mais calma.

Deus te abençoe.

Um forte abraço.

Marcos disse...

Oi Pr. eis um protesto:
Protesto contra a substituição dos grande hinos da fé, por musiquinhas cheias de repetições,destituídas de sentido, sem ensino bíblico, que despertam paixões, em vez de, afeições por Deus.

Mensagens lindas disse...

Yahweh Nissi
Eu Protesto contra a insensibilidade dos “cristãos” atuais, incapazes de estender a mão aos necessitados, não apenas de pão, mas de fome da palavra de Deus que lhes está sendo negada, eu me incluo entre esses. Protesto contra a desobediência ao Ide do Senhor em minha vida, esta incapacidade de largar tudo o que tenho buscado, e viver para Cristo.
Paz!