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O segundo domingo de maio é reservado às mães. Sinceramente, um só dia é muito pouco, se levado em consideração o importante papel que as mães desempenham como uma das colunas insubstituíveis na formação da família, a qual é o núcleo base da sociedade e também da igreja. Uma sociedade e uma igreja equilibradas são, em boa medida, o resultado de um conjunto de famílias bem estruturadas. Então, prefiro pensar neste dia como um lembrete da dignidade, privilégio e honra de que gozam as mães. Ser mãe traz consigo uma grande responsabilidade, a saber, criar filhos para Deus, zelando pelo bem físico e espiritual deles. Tendo isto em mente, quero ressaltar três lições do exemplo da mãe do jovem pastor Timóteo para que as mães cristãs os tenham como princípios norteadores da criação de seus filhos. O nome de sua mãe é Eunice – uma mãe muito discreta nos relatos do Novo Testamento, mas que nos lega um grande exemplo do que é ser mãe.
Em primeiro lugar, Eunice foi uma mulher de fé (cf. 2 Tim. 1.5). Ela era uma crente judia. O apóstolo Paulo revela-nos que a fé não fingida (sem hipocrisia) que habitava em Timóteo havia, antes, habitado em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice. Uma mulher de fé cria seus filhos de joelhos, entregando-os em oração a Deus. Ao lado da mãe Eunice, relembro o exemplo da mãe de Santo Agostinho, Mônica, outra mulher de fé que não deu descanso a Deus em oração por seu filho. O próprio Agostinho escreve acerca da fé de sua mãe em Confissões, dizendo:Mas vós, lá do alto, estendestes a mão e arrancastes a minha alma dessa voragem tenebrosa, enquanto minha mãe, vossa fiel serva, junto de vós chorava por mim, mais do que as outras mães choram sobre os cadáveres dos filhos. É que ela, com o espírito de fé com que a dotastes, via a morte da minha alma. Vós, Senhor, escutastes seus rogos. Vós a ouvistes. Não desprezastes as lágrimas que, brotando-lhe dos olhos, regava a terra por toda parte em que orava.[1] Noutro lugar, ele menciona as palavras de certo bispo a quem Mônica procurou rogando, aos prantos, que conversasse com seu filho a respeito de coisas espirituais, o qual lhe respondeu: “Vai em paz e continua a viver assim porque é impossível que pereça o filho de tantas lágrimas!”.[2] Agostinho é conhecido na história pela vida devassa que levava antes de sua conversão. Mas após este evento, ele se tornou, pela graça de Deus, um dos maiores líderes da história do cristianismo. Não duvido que sua mãe Mônica teve um papel fundamental nisso tudo. Deus jamais desampara uma mãe que rega a criação de seus filhos com lágrimas de oração e devoção.
Em segundo lugar, Eunice criou seu filho na disciplina do Senhor (cf. 2 Tim. 3.15). Neste texto, Paulo nos informa que Timóteo aprendeu as sagradas letras que o fariam sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus desde a infância. Obviamente, a responsável por isto foi sua mãe, uma vez que seu pai era grego e, portanto, não poderia ensiná-lo muito sobre Deus (At. 16.1). Eunice participou ativamente da formação espiritual de Timóteo.
Para os judeus, a educação na Lei do Senhor era levada a sério. Lemos em Deuteronômio 6.6,7: “estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (grifo meu). Os pais deveriam como que abrir a cabeça dos filhos e gravar as verdades de Deus ali dentro. Como se faz isso? Algumas dicas envolvem revigorar o antigo costume dos cultos domésticos, a prática de ler a Bíblia e contar histórias bíblicas para as crianças, orar com elas sempre e deixá-las, vez por outra, ver seus pais desempenhando sua devoção diária, dentre outras. Também não aconselho aos pais mandarem seus filhos à Escola Dominical – vá com eles! Leve-os! Eles precisam ver o exemplo dos pais.
Criar um filho na lei do Senhor também envolve discipliná-lo sempre que necessário. Uma corrente mais forte da psicologia e pedagogia modernas insiste em que os pais não podem disciplinar seus filhos com as velhas e boas “palmadinhas”, mas apenas desenvolver o diálogo. Em alguns lares cristãos os filhos assumiram o papel de líder da casa, e seus pais se tornaram seus reféns. Porém, a Bíblia nos diz que aquele que ama a seu filho, no tempo certo o disciplina (Prov. 13.24 – omitir a disciplina é sinal de falta de amor; cf. 22.15). É altamente pernicioso o costume atual de deixar a criança à vontade e fazer o que quer. Primeiro, porque uma criança não tem a capacidade de discernir o que é bom ou ruim para si mesma. Ela depende dos pais para tal. Depois, porque ela já possui uma natureza pecaminosa desde quando nasce e, portanto, precisa aprender a os caminhos do Senhor.
Infelizmente, muitos pais preferem que a mídia televisiva crie seus filhos, a terem que investir tempo em sua educação espiritual.
Em terceiro lugar, Eunice parece ter dedicado seu filho ao Senhor. Eunice poder ter cooperado com Paulo na evangelização de Timóteo – e de fato o fez desde sua mais tenra infância ao ensiná-lo as sagradas letras. Ela foi uma mãe que criou seu filho para Deus.
É lamentável ver tantas mães (e pais) desejarem uma boa formação acadêmica para seu filho e, consequentemente, um bom emprego, e esquecerem de sua formação espiritual. Tudo isso é nada sem Cristo. Entenda-me, estas coisas não são ruins em si mesmas. Como diria Jesus noutro lugar, “fazei isto sem omitir aquilo”. A formação espiritual do menino deveria ser a prioridade no planejamento familiar; as demais coisas vêm em seguida. Talvez, nenhum outro exemplo seja tão forte como o de Ana, mãe de Samuel (leia 1 Sam. 1).
Não resta dúvida que os filhos são bênçãos de Deus – sua herança (Sal. 127.3). Portanto, é preciso compreender que os filhos pertencem ao Senhor, sendo Ele quem os dá. As mães desempenham o papel de mordomo dos bens do Soberano Criador e doador da vida. Elas devem cuidar com dignidade e piedade daquilo que Deus lhes confiou, como um bem que a priori, pertence a Ele mesmo e deve ser devolvido a Ele (ver Jó 1.5, 20, 21).
Lamento profundamente a diminuição do valor dado às mães em nossos dias – até mesmo entre o povo de Deus. São poucas as que se orgulham em dizer que trabalham em casa, na criação dos filhos. Não há problema em a mulher cristã ter uma profissão secular e desempenhá-la – até aconselho a fazerem, se assim o Senhor o quer. No entanto, ela deve priorizar o trabalho mais digno e importante que Deus lhe confiou: criar seus filhos para Deus. Tanto a sociedade como a Igreja precisam que as mães desempenhem seu papel com empenho e piedade para que a geração seguinte não padeça da falta de famílias e líderes íntegros e equilibrados.
Mães, seus filhos são do Senhor. Cuidem deles como um mordomo que haverá de prestar contas ao Senhor de tudo aquilo que lhe foi confiado.
Referência Bibliográfica
AGOSTINHO. Confissões.. São Paulo: Nova Cultura, 2000. 417 p.
[1] Confissões, p. 94.
[2] Idem, p. 96.
Há 37 anos atrás, o Dr. D. Martyn Lloyd-Jones foi convidado para proferir uma série de preleções no Westminster Theological Seminary, em Filadélfia, sobre algum aspecto do ministério. Ele escolheu falar sobre “pregação e pregadores”. Suas palestras foram publicadas em 1971 sob este mesmo título. Ele afirma que “a mais urgente necessidade da Igreja cristã da atualidade é a pregação autêntica”,[1] e que esta é a tarefa primordial da igreja e do ministro. Ele explica sua afirmação “em face da tendência de nossa época de depreciar a pregação às expensas de várias outras formas de atividade”.[2]
John F. MacArthur Jr. também chama a atenção para esse perigo que envolve a pregação em seu livro Com Vergonha do Evangelho. Ele afirma que “a igreja tem assimilado a filosofia mundana do pragmatismo”.[3] Ele continua destacando que a pregação tem sido substituída por “novos métodos”, por toda variedade de entretenimento e técnicas de marketing de crescimento de igreja, e acrescenta:O novo pragmatismo encara a pregação (particularmente, a pregação expositiva) como antiquada. Proclamar de modo claro e simples a Palavra de Deus é visto como ingênuo, ofensivo e ineficaz. Dizem-nos que obteremos melhores resultados se, primeiramente, entretivermos as pessoas ou lhes oferecermos dicas a respeito de como serem bem-sucedidas e lhes ministrarmos “psicologia popular”, cortejando-as assim para que “façam parte de nosso grupo”.[4]
A situação da pregação brasileira nas últimas décadas do século 20 e nestes primeiros anos do século 21 não foge a essa triste realidade. Paulo R. B. Anglada observa que até mesmo as igrejas de tradição reformada têm sucumbido paulatinamente a essa tendência.[5] Ricardo Gondim reconhece que os púlpitos brasileiros “estão cada vez mais empobrecidos. Pastores animam seus auditórios com frases de efeito, contentam suas igrejas com mensagens superficiais”.[6] Ele admite que o cristianismo necessita de uma nova Reforma, a qual deve começar pelo púlpito. Ainda citando Gondim:Há uma tendência de transformar a igreja em big business. Pior, big business do lazer espiritual [..] Pastores e padres abandonaram sua vocação de portadores de boas novas. Assumiram novos papéis: animadores de auditório e levantadores de fundos. O púlpito transformou-se em mero palco. A igreja, simples platéia [...] Sermões podem ser facilmente confundidos com palestras de neurolingüística.[7]
Gostaria de fazer algumas considerações sobre a pregação nos púlpitos brasileiros nestes últimos dias sob a perspectiva das implicações da doutrina petrina da parousia.
1. A Palavra de Deus Como Princípio Fundamental da Pregação
As Escrituras do Antigo Testamento são uma chave hermenêutica necessária para se entender a mensagem de Pedro. Seu ensino concernente à parousia nos lembra que a suficiência da mensagem cristã e sua apologética provêm das Escrituras (cf. Atos 3.11-21; 1 Pedro 1.10-12 e 2 Pedro 3.2). Não é preciso recorrer à sabedoria do mundo para descobrir novas idéias ou respostas para as questões espirituais. Pedro se utiliza de toda a Escritura para corrigir os falsos mestres, consolar os cristãos perseguidos e exortar ímpios empedernidos. Um dos grandes motivos por que a pregação bíblica expositiva tem sido relegada ao status de relíquia antiquada é a não compreensão da suficiência das Escrituras. MacArthur denuncia que muitos pastores são responsáveis pela ruína das igrejas ao se afastarem da pregação que reflete plena convicção na inerrância e suficiência das Escrituras. Ele prossegue: “é grande o número de pastores apóstatas e incompetentes; e isso está se tornando a norma e não a exceção”.[8] Os púlpitos cristãos têm sofrido os danos da “psicologização” dos sermões, com o fim de adaptá-los ao gosto dos ouvintes ou para suprir a falta de confiança no poder da Palavra.[9]
Ao fazer grande uso das Escrituras para ensinar a respeito da parousia de Cristo, Pedro prova aos modernos pregadores que não é necessário recorrer a nenhuma outra fonte de autoridade, senão a própria Palavra revelada de Deus (cf. 2 Pe 1.19-21). Os enganadores e pecadores sabem que as Escrituras os acusam, por isso tentam falsificá-las, no entanto, sem saber que o fazem “para sua própria perdição” (cf. 2 Pe 3.16). O apóstolo Pedro escreve suas cartas e prega seu sermão em Atos não somente como um apologista ou mestre. Seus ensinamentos estão permeados de um tom pastoral, que visa o bem estar espiritual da igreja e a conversão dos perdidos. Quero destacar três implicações do ensino de Pedro concernente à parousia para a pregação bíblica. Ela deve ser: (1) uma mensagem de condenação; (2) uma mensagem de arrependimento e santidade; e (3) uma mensagem de consolação para a igreja.
1.1 Uma Mensagem de Condenação
Freqüentemente, os pregadores têm se colocado ao lado do profeta Hananias no anúncio da Palavra de Deus ao mundo perdido (cf. Jr 28.1-4). Eles têm anunciado uma “paz plástica”, quando o momento exige uma pregação mais enérgica da condenação do pecado. Não são necessários estudos aprofundados para se averiguar que a cultura ocidental está submersa em um profundo relativismo moral, característico da pós-modernidade. “No ambiente pós-moderno o pluralismo relativista domina o cenário das idéias, negando a possibilidade de um único caminho, a possibilidade de regras fixas”.[10] Valdeci da Silva Santos resume a frouxidão moral brasileira citando Jaime Kemp: Parece correto afirmar que a “sensualidade legal” da cultura brasileira, com as suas indulgências aceitáveis, vem comprovando a teoria de que não existe pecado do “lado de baixo do equador“, anestesiando e até cauterizando a mente de alguns cristãos.[11]
Esta citação também revela outro dado alarmante. A cosmovisão mundana tem invadido sorrateiramente o ambiente das igrejas evangélicas. Já não é difícil encontrar cristãos pensando como os não cristãos. Assuntos como adultério, sexo livre antes do casamento, escândalos entre políticos “cristãos”, divórcio, e outros, já não são mais incomuns nos arraiais evangélicos. Pior, não são mais incomuns entre ministros e pregadores do evangelho.É neste momento que os pregadores devem se postar ao lado de homens como o profeta Jeremias (e muitos outros profetas de Deus), que não hesitou em denunciar o pecado do povo e a conseqüente condenação de Deus, bem como a condenação do falso profeta Hananias (Jr 28.5-17). Ele não estava preocupado se agradaria ou não seus ouvintes. Sua preocupação era com a fidelidade às palavras de Deus. Os homens não precisam de mensagens que cocem os seus ouvidos. Eles precisam da verdade (cf. 2 Tm 4.1-5), ainda que seja dura. A mensagem da parousia, conforme apresentada por Pedro, lembra aos pregadores que resta pouco tempo até que o Senhor volte para tomar vingança dos seus inimigos (1 Pe 4.5, 7, 17). Este será um dia de juízo (3.7). O apóstolo não se esquivou à responsabilidade de denunciar os pecados dos ímpios e avisá-los que aqueles trariam uma inexorável condenação da parte de Deus sobre eles. A mensagem de Pedro repreende o pecado em dois aspectos: (1) no aspecto da conduta pecaminosa; e (2) no aspecto do ensino errôneo (cf. 2 Pe 3.3-4). Estas duas atitudes estão inseparavelmente unidas em uma relação de causa e efeito. “No sentido prático, nossa santidade é diretamente proporcional ao nosso conhecimento e à nossa subseqüente obediência à palavra de Deus”.[12] A conduta é resultado dos valores assimilados pelo conhecimento. Se o conhecimento é mau, conseqüentemente a conduta também o será. O inverso também é verdadeiro. Em 2 Pedro 3.3-4, o apóstolo deixa claro que os escarnecedores zombam da parousia ao mesmo tempo em que andam segundo suas próprias concupiscências. Raciocinam: “já que Cristo não voltará, vivamos segundo nossos próprios desejos”. Esta é uma atitude semelhante à gerada pelo falso ensino a respeito da ressurreição, a qual foi combatida por Paulo em 1 Co 15. Aqui o erro gerou o seguinte raciocínio: “Já que os mortos não ressuscitam, então ‘comamos e bebamos porque amanhã morreremos’” (cf. v. 32), em um constante culto ao hedonismo antropocêntrico. “O cinismo e a satisfação dos próprios desejos regularmente se acompanham”.[13]
Portanto, os pregadores cristãos devem recuperar a determinação de serem bíblicos. A mensagem da cruz deve retomar o seu lugar de prioridade nos púlpitos. É necessário que o pregador desempenhe seu papel de profeta em nossos dias e denuncie os pecados de sua época. Assuntos como, pecado, juízo, inferno e condenação devem retornar aos púlpitos.
1.2 Uma Mensagem de Arrependimento e Santidade
A mensagem da parousia não somente anuncia a condenação aos pecadores. Eles também são desafiados ao arrependimento. Já observamos que dar oportunidade para o arrependimento dos homens é um dos motivos que “retarda” a parousia (cf. 2 Pe 3.9), e este evento é um dos resultados do arrependimento (cf. At 3.19-20). Portanto, a mensagem do arrependimento é uma marca imprescindível de um pregador autêntico do evangelho. De fato, não existe evangelho sem arrependimento. A necessidade atual deste tipo de mensagem é refletida em uma outra obra de MacArthur, intitulada O evangelho segundo Jesus. Nesta obra ele denuncia os perigos da tendência atual de se ensinar um evangelho da “graça barata”. Nesta tendência Jesus é “oferecido” aos descrentes como Salvador, mas não como Senhor de suas vidas. Os defensores deste evangelho se opõem ao que denominaram “salvação pelo senhorio”.[14] Dizem que:A doutrina da conversão a Cristo “não envolve compromisso espiritual algum, qualquer que seja”. Os que ensinam esse ponto de vista ensinam que as Escrituras prometem salvação a qualquer um que simplesmente creia nos fatos a respeito de Cristo e clame por vida eterna. Não há necessidade de se abandonar o pecado, nem de uma resultante mudança de estilo de vida, nem de se assumir um compromisso – nem mesmo a disposição para se submeter ao senhorio de Cristo.[15]
A “salvação pelo senhorio” não é nada mais do que o puro evangelho do arrependimento pregado por Jesus e os apóstolos (cf. Mt 4.17; At 5.31; 11.18; 2 Tm 2.25, 26). A tendência atual é dizer que esse tipo de mensagem que exige o arrependimento dos homens é deselegante e não atrai o “consumidor”. Àqueles que já experimentaram este arrependimento, devem prosseguir no processo de santificação. A certeza da parousia de Cristo não pode ser dissociada de conseqüências éticas na vida dos que crêem. Como já foi realçado, a escatologia e a prática cristã em Pedro são indissociáveis. A piedade cristã deve caracterizar a vida dos salvos até que Cristo retorne. Esta ênfase é muito forte em 1 Pe 1.13 e 2 Pe 3.11-14. Desta maneira, a tarefa dos pregadores não acaba no momento em que as pessoas se arrependem dos seus pecados e encontram a misericórdia de Deus. Ao contrário, ela apenas começou. Eles devem estimular a santificação em suas mensagens. Devem falar de abandono de pecados em linguagem bíblica. Somos obrigados a enfatizar isso devido a invasão de termos advindos da psicologia moderna para tratar o homem e seus problemas. “Grande número de pregadores abandonou suas redes em busca de alimentos sintéticos para as necessidades de uma nova sociedade”.[16] Eles tentam explicar os problemas internos e externos do homem mediante conceitos anticristãos, como se Deus tivesse esperado dezoito séculos até que surgisse um ateu (uma referência a Freud) para ensinar à Igreja como aconselhar e ajudar o homem. Spurgeon não se enganou ao afirmar que: Essas novidades vãs não têm feito bem algum, nem jamais farão enquanto o mundo existir. A Palavra de Deus tem sido suficiente para interessar e abençoar a alma humana ao longo dos tempos; as novidades, todavia, rapidamente perecerão.[17]
Falando sobre o supremo propósito do ministro, diz Baxter: “Esse propósito é agradar e glorificar a Deus. Também é estimular a santificação e a santa obediência do povo de Deus que está a nosso cargo”.[18] (cf. At 20.28-32).
1.3 Uma Mensagem de Consolação Para a Igreja
A mensagem da parousia em Pedro é um alerta para os descrentes de sua condenação, uma chamada para a necessidade do arrependimento, um estímulo à santidade para os cristãos, e também um consolo para os corações afligidos. Ela é um sinal inconfundível da bem-aventurança eterna ao lado de Deus. É a consumação da salvação adquirida na vida presente. Ela confere aos cristãos um novo sentido e objetivo na vida. O grande objetivo da humanidade de encontrar um significado e propósito na vida está ao alcance de todo cristão. Nas Escrituras, Deus forneceu todas as peças deste grande quebra-cabeça metafísico da vida. A existência possui um início, meio e fim. E o fim está próximo. A parousia de Cristo é a grande fonte de consolo apresentada por Pedro em sua primeira epístola, ao lado do exemplo dos sofrimentos de Cristo. Os sofrimentos presentes são apenas a introdução da glorificação final dos salvos.O apóstolo não precisou apelar a outra fonte senão as Escrituras e o seu próprio ensino, como palavras inspiradas. Da mesma forma, os pregadores e conselheiros cristãos devem encarar os sofrimentos humanos à luz das Escrituras. Muitas igrejas aflitas têm sido medicadas com o remédio errado. Os problemas não devem ser combatidos com os remédios da psicanálise, da terapia da auto-descoberta, da hipnose ou coisas do tipo. As igrejas cristãs não precisam de profissionais do aconselhamento e suas teorias, elas precisam ouvir a verdade sem misturas da Palavra de Deus. E, o ensino concernente à parousia em Pedro confere à Igreja consolo inestimável. A esperança cristã da parousia (que difere da esperança não cristã por ser plena de certeza e confiança) se coloca como uma forte âncora lançada em um futuro certo, para o qual a história humana se desenrola até o dia da volta de Cristo. Ela nos garante que os sofrimentos são por pouco tempo (cf. 1 Pe 1.6). Aos cansados, Pedro diz que suportem um pouco mais, pois a parousia de Cristo não tardará. E junto com ela, as bem-aventuranças da salvação plena.
Portanto, as palavras de Paulo a Timóteo ecoam fortes e pertinentes nestes últimos dias:
Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo coceira nos ouvidos, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando às fábulas.[19]
Nestes dias de crise do púlpito, a doutrina petrina da parousia desafia os pregadores a voltarem aos princípios bíblicos da pregação expositiva. Eles devem anunciar todos os desígnios de Deus, ainda que sua mensagem seja considerada anacrônica pelo homem pós-moderno. Somente a pregação autêntica do evangelho atingirá o cerne da necessidade humana, a saber, a salvação do homem todo.
Referência Bibliográfica:
ANGLADA, Paulo R. B. Vox Dei: a teologia reformada da pregação. Fides Reformata. São Paulo, vol. 4, nº 1, pp. 145-168, Janeiro-Junho de 1999.
BAXTER, Richard. O pastor aprovado. Tradução: Odayr Olivetti. 2ª ed. São Paulo: PES, 1996. 200 p.
GOMES, Wadislau Martins. Psicologização do púlpito e relevância na pregação. Fides Reformata. São Paulo, vol. 10, nº 1, pp. 11-29, Janeiro-Junho de 2005.
GREEN, Michael. 2 Pedro e Judas: introdução e comentário. Tradução: Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 1983. 184 p.
LLOYD-JONES, David M. Pregação e pregadores. Tradução: João Marques Bentes. São José dos Campos: Fiel, 2001. 240 p.
MACARTHUR JR., John. F. Com vergonha do evangelho: quando a igreja se torna como o mundo. Tradução: Eros Pasquini. São José dos Campos: Fiel, 1997. 288 p.
_____. Nossa suficiência em Cristo. 2ª ed. São José dos Campos: Fiel, 2001. 224 p.
_____. O Evangelho segundo Jesus. 3ª ed. São José dos Campos: Fiel, 1999. 280 p.
MEISTER, Mauro. Igreja emergente, a igreja do pós-modernismo? Uma avaliação provisória. Fides Reformata. São Paulo, vol. 11, nº 1, pp. 95-112, Janeiro-Junho de 2006.
SANTOS, Valdeci da Silva. A luta cristã pela fidelidade conjugal: um matrimônio digno em uma sociedade adúltera. Fides Reformata. São Paulo, vol. 11, nº 1, pp. 9-23, Janeiro-Junho de 2006.
SPURGEON, Charles H. A maior luta do mundo. São José dos Campos: Fiel, 1995. 80 p.[1] LLOYD-JONES, D. Martyn. Pregação e pregadores. p. 7.
[2] Ibidem, p. 19.
[3] MACARTHUR JR., John F. Com vergonha do evangelho: quando a igreja se torna como o mundo. p. 6.
[4] Ibidem, pp. 8-9.
[5] ANGLADA, Paulo R. B. Vox Dei: a teologia reformada da pregação. Fides Reformata. São Paulo, vol. 4, nº 1, pp. 145-168, Janeiro-Junho de 1999.
[6] GONDIM, Ricardo apud ANGLADA, Ibidem, p. 162.
[7] GONDIM, Ricardo apud ANGLADA, Idem, p. 162.
[8] MACARTHUR JR., John F. Nossa suficiência em Cristo. pp. 111-112.
[9] Ver GOMES, Wadislau Martins. Psicologização do púlpito e relevância na pregação. Fides Reformata. São Paulo, vol. 10, nº 1, pp. 11-29, Janeiro-Junho de 2005.
[10] MEISTER, Mauro. Igreja emergente, a igreja do pós-modernismo? Uma avaliação provisória. Fides Reformata. São Paulo, vol. 11, nº 1, pp. 95-112, Janeiro-Junho de 2006. p. 97.
[11] SANTOS, Valdeci da Silva. A luta cristã pela fidelidade conjugal: um matrimônio digno em uma sociedade adúltera. Fides Reformata. São Paulo, vol. 11, nº 1, pp. 9-23, Janeiro-Junho de 2006. p. 11.
[12] MACARTHUR, Nossa suficiência em Cristo. p. 104.
[13] GREEN, 2 Pedro e Judas. p. 122.
[14] “a visão de que, para ser salva, a pessoa precisa confiar em Jesus Cristo como Salvador do pecado, e, também entregar-se a Cristo como Senhor de sua vida, submetendo-se à sua autoridade soberana”. MACARTHUR JR., John F. O evangelho segundo Jesus. p. 29.
[15] Ibidem., p. 24.
[16] GOMES, op. cit., p. 12.
[17] SPURGEON, Charles H. A maior luta do mundo. p. 18.
[18] BAXTER, Richard. O pastor aprovado. p. 96.
[19] 2 Tm 4.2-4.