sábado, 27 de dezembro de 2008

Ele Nasceu para Morrer

Acabamos de passar por um dos maiores feriados do ano, o Natal. Sua existência em si, já exemplifica um pouco da grande influência de Jesus Cristo sobre o mundo Ocidental. Nunca outro sujeito foi tão fundamental para a formação cultural de um povo como Jesus. Natal, páscoa, divisão histórica ocidental (em antes e depois de Cristo), religião, filosofia, enfim, o Ocidente deve muito àquele cujo nascimento rememoramos no dia 25 de dezembro.


Quando penso em Natal, não me vem à mente o clássico texto de Isaías 9.6. Nem mesmo algum dos textos evangélicos que narra o nascimento de Jesus, a visita dos magos com seus presentes, ou mesmo a imagem de um recém-nascido envolto em uma manjedoura. Pelo menos, não a priori. As primeiras palavras que me vêm à mente estão registradas em João 1.14, que falam da encarnação de Cristo.


É lamentável ver o quanto as pessoas (inclusive evangélicos) se encantam e romanceiam o nascimento virginal de Jesus, o belo presépio, o incenso, a mirra, o ouro, a estrela, etc., e param por aí. Não sou contra comemorações natalinas, contanto que Cristo permaneça no centro das atenções, mas também não posso concordar em que o natal se resuma a isso. Muitos esquecem o fundamental do natal, ou seja, o motivo pelo qual Jesus nasceu.


A melhor pergunta a se fazer neste período é: por que Jesus se encarnou? Por que ele tomou a forma de homem? Por que tanta humilhação? Ao pensar sobre a resposta a estas perguntas é possível contemplar uma sombra negra por trás da manjedoura e a tal espada traspassando o coração de Maria. O fato é que Jesus nasceu para morrer. Ele desceu da glória para subir a uma cruz. Fez-se homem para por mãos de homens ser traído e assassinado.


João nos diz que “o Verbo se fez carne e tabernaculou [armou sua tenda] entre nós” (1.14). Aqui nós temos a maior prova do amor de Deus por nós unida à sua maior humilhação. O Verbo que estava com Deus desde o princípio, quando só havia a trindade, sendo Ele mesmo Deus (1.1; cf. Gn 1.1), a quem toda a Criação deve sua origem e manutenção (1.3; Cf. Cl 1.15-17), e em quem os homens encontram vida e por Ele são guiados em meio a trevas (1.4-5; cf. 5.26), Ele mesmo, tornou-se comungante das limitações de sua criação na encarnação.


Em João 1.10, temos um resumo de parte da história de Jesus. Diz-nos o texto que Jesus é co-Criador de tudo o que foi feito, juntamente com o Deus Pai. Temos aqui a existência pré-encarnada de Cristo em toda a sua glória. O apóstolo também afirma que ele “estava no mundo”. Ou seja, um testemunho de sua existência encarnada, em toda a sua humilhação. E ele conclui seu resumo registrando a resposta da humanidade aos esforços de Cristo, ou seja, rejeição. Apesar de a humanidade ter sido criada por Jesus, pelo Verbo, ela tornou-se alienada dele e não reconheceu o seu feitor – pura ingratidão e rebeldia. Como se fosse pouco, João nos diz que ele não fora rejeitado apenas por sua criação, mas também a sua própria casa não o recebeu (v. 12). Os seus familiares o renegaram. Nossa! Quanta rejeição! Quanto amor resignado!


Mesmo assim, no meio deste mundo ingrato, Cristo manifestou seu amor supremo. O Verbo, apesar do imenso prazer que possuía na presença de Seu Pai, dispôs-se a descer ao reino da miséria e montar sua tenda, por um pouco, no meio dos pecadores. “Deus é visto coberto de carne”. O Deus eterno se esvaziou de toda a sua glória para se humilhar na encarnação (Fp 2.5-8). Jesus se dispôs a humilhar-se em forma de homem por toda a eternidade. Naquela manjedoura, deu-se o inicio de uma nova e eterna forma do Verbo de Deus.


Não podemos deixar de pensar no nascimento do nosso Redentor à parte de sua morte e ressurreição. Não há sentido no Natal sem a Páscoa. O Rebento de Jessé nasceu para morrer.

As mãos que embalam o símbolo de um menino sobre uma manjedoura um dia se voltaram contra ele para matá-lo. Ao pensar no natal, lembre-se que aquele menino na manjedoura era o Deus encarnado, desde sempre condenado à morte. De uma forma, você e eu fomos responsáveis pela morte do dono da festa.


Não podemos, contudo, deixar de exultar com os anjos: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” (Lc 2.14). Nada fugiu ao seu controle. Com seu nascimento, morte e ressurreição, Cristo trouxe a vida de que precisamos.


Feliz Natal!

Soli Deo Gloria

1 comentários:

Zhenya and Nika Aksutin disse...

My brother! Happy New Year! Good wishes from Russia! May God bless you in new Year to know Him better every days and give glory to His name!!!! Zhenya from Russia