O ser humano é uma das criaturas de hábitos mais bizarros e estúpidos dentre todos os seres que Deus criou. Pensando naqueles que ocupam o lado oposto da fronteira da racionalidade, os animais irracionais, de longe, mostram-se mais “coerentes” em alguns aspectos de seu comportamento. Estou pensando naquela disposição inata aos seres vivos, conhecida como instinto de sobrevivência, que os leva a empreender todo esforço utilizando-se de todos os meios disponíveis na luta pela vida. Tanto lutam pelo que pode prolongá-la, como fogem do que a ameaça.
O ser humano, por outro lado, possui o estranho hábito de se lançar à sorte da vida. Sendo um dos seres naturalmente mais frágeis de toda a criação (lembre-se apenas que precisamos produzir nossas próprias armas de defesa e ataque enquanto a maioria dos animais as possui naturalmente), ele não se apercebe do constante perigo que é viver, e brinca com o bem mais precioso e, ao mesmo tempo, mais frágil que possui. Muitos vêem a si mesmos “super-homens” invencíveis; imortais. Ledo engano.
O salmista declara que os homens são carne, vento que passa e não volta (Sl 78.39). Ainda falando sobre a brevidade e fragilidade da vida, Davi nos lembra que somos pó, e assim como a flor que, brotando e soprando nela o vento, logo desaparece, assim também é o homem (cf. Sl 103.14-16). Tiago pergunta: o que é a vossa vida? A resposta é perturbadora: É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece (Tg 4.14). A vida é como um vaso de barro que quebra uma vez só. Um breve pensamento que agora é e já não mais. No entanto, o ser humano insiste em acelerar sua degradação com os mais variegados vícios oriundos de uma natureza vendida ao pecado.
À luz de toda essa fragilidade da vida, o homem vive sempre à beira do lago da morte. Oh, morte! A mais fiel e imprevisível companheira do homem-pó.
A morte é muito custosa para os que não andam com Cristo. De contínuo, a fumaça do abismo os enleva e os envolve na penumbra de uma alma tomada pelo pecado que os torna completamente insensíveis ao perigo iminente que lhes cerca. Assim, no torpor do pecado, se recusam a abraçar a vida que Cristo pode dar. O seu “instinto de sobrevivência” não atinge o nível do espiritual e, assim, recusam-se a recorrer ao único meio de escape. Cada dia se assemelha a um jogo de “roleta russa”. De súbito lhes sobrevirá completa ruína. Para estes, a morte será acompanhada de uma passagem sem volta para o lago de sua irmã gêmea, a “Morte Eterna”.
Para muitos, em muitos lugares, ao mesmo tempo, neste mesmo tempo, o Senhor da vida e da morte anuncia: Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Lc 12.20). Então, o vaso enfim se despedaçará.
Dentre muitos, mais cedo ou mais tarde – talvez hoje –, um será você!
Para quem será?





1 comentários:
Ótimo texto.
Me fez refletir uma coisa: não sou super-mulher, nem de barro dem de nada!!! Talvez eu seja um vaso de barro, com um tesouro.
E lemro-me de Paulo, o apóstolo:
"Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro"
Que fazemos acumulando bens na terra, enquanto nosso vizinho sofre necessidades? Que fazemos acumulando sabedoria e "conhecimento de Deus" para nós mesmos enquanto muitos caminham incredulos para o inferno?
Bem, espero ter comentado a altura esse texto... :)
Bjs
Postar um comentário