Ser mãe traz consigo uma grande responsabilidade, a saber, criar filhos para Deus, zelando pelo bem físico e espiritual deles. Tendo isto em mente, quero ressaltar três lições do exemplo da mãe do jovem pastor Timóteo para que as mães cristãs os tenham como princípios norteadores da criação de seus filhos. O nome de sua mãe é Eunice – uma mãe muito discreta nos relatos do Novo Testamento, mas que nos lega um grande exemplo do que é ser mãe.
Em primeiro lugar, Eunice foi uma mulher de fé (cf. 2 Tim. 1.5). Ela era uma crente judia. O apóstolo Paulo revela-nos que a fé não fingida (sem hipocrisia) que habitava em Timóteo havia, antes, habitado em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice. Uma mulher de fé cria seus filhos de joelhos, entregando-os em oração a Deus. Ao lado da mãe Eunice, relembro o exemplo da mãe de Santo Agostinho, Mônica, outra mulher de fé que não deu descanso a Deus em oração por seu filho. O próprio Agostinho escreve acerca da fé de sua mãe em Confissões, dizendo:
Mas vós, lá do alto, estendestes a mão e arrancastes a minha alma dessa voragem tenebrosa, enquanto minha mãe, vossa fiel serva, junto de vós chorava por mim, mais do que as outras mães choram sobre os cadáveres dos filhos. É que ela, com o espírito de fé com que a dotastes, via a morte da minha alma. Vós, Senhor, escutastes seus rogos. Vós a ouvistes. Não desprezastes as lágrimas que, brotando-lhe dos olhos, regava a terra por toda parte em que orava.[1]
Noutro lugar, ele menciona as palavras de certo bispo a quem Mônica procurou rogando, aos prantos, que conversasse com seu filho a respeito de coisas espirituais, o qual lhe respondeu: “Vai em paz e continua a viver assim porque é impossível que pereça o filho de tantas lágrimas!”.[2]
Agostinho é conhecido na história pela vida devassa que levava antes de sua conversão. Mas após este evento, ele se tornou, pela graça de Deus, um dos maiores líderes da história do cristianismo. Não duvido que sua mãe Mônica teve um papel fundamental nisso tudo. Deus jamais desampara uma mãe que rega a criação de seus filhos com lágrimas de oração e devoção.
Em segundo lugar, Eunice criou seu filho na disciplina do Senhor (cf. 2 Tim. 3.15). Neste texto, Paulo nos informa que Timóteo aprendeu as sagradas letras que o fariam sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus desde a infância. Obviamente, a responsável por isto foi sua mãe, uma vez que seu pai era grego e, portanto, não poderia ensiná-lo muito sobre Deus (At. 16.1). Eunice participou ativamente da formação espiritual de Timóteo.
Para os judeus, a educação na Lei do Senhor era levada a sério. Lemos em Deuteronômio 6.6,7: “estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (grifo meu). Os pais deveriam como que abrir a cabeça dos filhos e gravar as verdades de Deus ali dentro. Como se faz isso? Algumas dicas envolvem revigorar o antigo costume dos cultos domésticos, a prática de ler a Bíblia e contar histórias bíblicas para as crianças, orar com elas sempre e deixá-las, vez por outra, ver seus pais desempenhando sua devoção diária, dentre outras. Também não aconselho aos pais mandarem seus filhos à Escola Dominical – vá com eles! Leve-os! Eles precisam ver o exemplo dos pais.
Criar um filho na lei do Senhor também envolve discipliná-lo sempre que necessário. Uma corrente mais forte da psicologia e pedagogia modernas insiste em que os pais não podem disciplinar seus filhos com as velhas e boas “palmadinhas”, mas apenas desenvolver o diálogo. Em alguns lares cristãos os filhos assumiram o papel de líder da casa, e seus pais se tornaram seus reféns. Porém, a Bíblia nos diz que aquele que ama a seu filho, no tempo certo o disciplina (Prov. 13.24 – omitir a disciplina é sinal de falta de amor; cf. 22.15). É altamente pernicioso o costume atual de deixar a criança à vontade e fazer o que quer. Primeiro, porque uma criança não tem a capacidade de discernir o que é bom ou ruim para si mesma. Ela depende dos pais para tal. Depois, porque ela já possui uma natureza pecaminosa desde quando nasce e, portanto, precisa aprender a os caminhos do Senhor.
Infelizmente, muitos pais preferem que a mídia televisiva crie seus filhos, a terem que investir tempo em sua educação espiritual.
Em terceiro lugar, Eunice parece ter dedicado seu filho ao Senhor. Eunice poder ter cooperado com Paulo na evangelização de Timóteo – e de fato o fez desde sua mais tenra infância ao ensiná-lo as sagradas letras. Ela foi uma mãe que criou seu filho para Deus.
É lamentável ver tantas mães (e pais) desejarem uma boa formação acadêmica para seu filho e, consequentemente, um bom emprego, e esquecerem de sua formação espiritual. Tudo isso é nada sem Cristo. Entenda-me, estas coisas não são ruins em si mesmas. Como diria Jesus noutro lugar, “fazei isto sem omitir aquilo”. A formação espiritual do menino deveria ser a prioridade no planejamento familiar; as demais coisas vêm em seguida. Talvez, nenhum outro exemplo seja tão forte como o de Ana, mãe de Samuel (leia 1 Sam. 1).
Não resta dúvida que os filhos são bênçãos de Deus – sua herança (Sal. 127.3). Portanto, é preciso compreender que os filhos pertencem ao Senhor, sendo Ele quem os dá. As mães desempenham o papel de mordomo dos bens do Soberano Criador e doador da vida. Elas devem cuidar com dignidade e piedade daquilo que Deus lhes confiou, como um bem que a priori, pertence a Ele mesmo e deve ser devolvido a Ele (ver Jó 1.5, 20, 21).
Lamento profundamente a diminuição do valor dado às mães em nossos dias – até mesmo entre o povo de Deus. São poucas as que se orgulham em dizer que trabalham em casa, na criação dos filhos. Não há problema em a mulher cristã ter uma profissão secular e desempenhá-la – até aconselho a fazerem, se assim o Senhor o quer. No entanto, ela deve priorizar o trabalho mais digno e importante que Deus lhe confiou: criar seus filhos para Deus. Tanto a sociedade como a Igreja precisam que as mães desempenhem seu papel com empenho e piedade para que a geração seguinte não padeça da falta de famílias e líderes íntegros e equilibrados.
Mães, seus filhos são do Senhor. Cuidem deles como um mordomo que haverá de prestar contas ao Senhor de tudo aquilo que lhe foi confiado.
Referência Bibliográfica
AGOSTINHO. Confissões.. São Paulo: Nova Cultura, 2000. 417 p.
[1] Confissões, p. 94.
[2] Idem, p. 96.





1 comentários:
É interessante a reflexão do texto maternal, quando se lembra de homenagear somente um dia ao ano, as mães, seres tão especiais. Tanto doutrinário, como pedagógico e praticamente didático, a reflexão de 'educar' na fé, na vida e na prática do conhecimento malefícios e benefícios, conforme a Bilia diz: 'não poupá-los da Vara!'. Muito bem! Não poupar o castigo para que homens existam e sejam realmente imagem e semelhança do Pai.
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