Ao ler essa frase fui, de súbito, assaltado por imagens despudoradas que refletiam nitidamente a realidade do Evangelho em minha nação. Elas trouxeram-me à memória, mais uma vez, a lamentável realidade do povo evangélico em minha pátria amada. Confesso que em meio a estas imagens lacrimáveis transitando em minha mente não pude conter as lágrimas.
Pense um pouco sobre o evangelicalismo brasileiro. Uma de suas marcas, fruto da cosmovisão pós-moderna, é a "tolerância". Tolera-se o homossexualismo, o aborto, a extorsão dos miseráveis por parte de grupos que se chamam "cristãos", a mentira e as "meias verdades" (mentiras completas) doutrinárias, os escândalos de mercenários que se auto-intitulam bispos, apóstolos, paipóstolos, etc.; enfim, tolera-se a frouxidão moral e espiritual, frutos da frouxidão doutrinária - que é a falta de convicções doutrinárias. Tolera-se o erro e o pecado sob a alegação pseudopiedosa de ser uma "tolerância cristã".
Os evangélicos de nossos dias já não se satisfazem apenas com o “cristianismo puro e simples”. Eles querem mais. Querem o “cristianismo e” alguma coisa. Eles já não acreditam mais na plena suficiência de Cristo e de sua Palavra. “A minha graça de basta”, disse Jesus ao apóstolo Paulo (2 Cor. 12.9). Mas para o evangélico do século 21 essas palavras não possuem mais nenhum valor. Para ser “vitorioso” é necessário o “cristianismo e a psicologia”, “cristianismo e a prosperidade financeira por meio da fé”, “cristianismo e a cura física”, “cristianismo e o curandeiro evangélico (vulgo ‘vaso’)”, etc. C. S. Lewis foi profético ao retratar o demônio Morcegão escrevendo ao seu aprendiz Cupim: “Se não podemos impedi-los de serem cristãos, então que o sejam com certos qualificativos. Substitua a fé por alguma moda que tenha um colorido cristão” (Cartas do Inferno).
Ouso afirmar que o cristianismo evangélico brasileiro, em sua maioria esmagadora, não passa disso: “alguma coisa que tem um colorido cristão”. A essência do cristianismo foi perdida faz tempo.
Muitos líderes evangélicos de nossa nação são ridículos. Os escândalos se multiplicam. É só pensar no “apóstolo” Estevão e a "bispa" Sônia Hernandes, Edir Macedo, o “paipóstolo” René Terra Nova (vale lembrar que além desse título ser ridículo, também não faz sentido nenhum – pai+póstolo não significa nada!), Caio Fábio, e muitos outros homens da mídia. Muitos pastores e líderes de grandes denominações pentecostais e neopentecostais mais parecem “pais-de-santo” e místicos medievais. O objetivo de mega-igrejas como a Universal, Renascer em Cristo e Internacional da Graça é unicamente abarrotar os bolsos de seus líderes (donos) às custas de um Evangelho da Prosperidade que rouba o pouco dos já miseráveis e empurra suas almas para o inferno. Este é o evangelho de Satanás - nunca foi forjado nas páginas das Sagradas Escrituras. Com sua sede de poder e fama, esses homens não refletem o Espírito de Deus, mas o espírito do anticristo que engana multidões à sua volta.
Os cultos de muitas igrejas envergonham o cristianismo bíblico com suas sessões de magia,
curandeirismos, barulhos sem sentido, apelações às emoções, exploração da fé dos menos instruídos (e instruídos também), marketings, “culto show” e todo tipo de modismo mundano. Sinceramente, acredito que o evangelicalismo dessa grande massa está se utilizando do catolicismo-místico enrustido na alma dos evangélicos brasileiros para moldar o estilo do culto. Quem conhece um pouco de história geral perceberá as muitas semelhanças entre as práticas da Igreja Católica medieval e as práticas das igrejas pentecostais e neopentecostais de hoje.Entretanto, aqueles que se levantam contra toda essa artificialidade evangélica são prontamente taxados de intolerantes. Quase podemos escutar os gritos de linchamento. São tachados de puritanos, radicais que não sabem conviver com as diferenças, teólogos sem amor (aliás, para a massa evangélica, “teólogo” já é um palavrão por si só). Os que acusam esquecem que nas Escrituras amor e verdade andam de mãos dadas (cf. Efé. 4.5; 2 Jo. 3).
Não podemos continuar tolerando esses abusos. Precisamos abrir nossa boca em favor do verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo (cf. Jud. 3). A tolerância que o Evangelicalismo no Brasil pratica é a marca de seu envolvimento fisiológico com o sistema caído de uma sociedade sem Deus. A tolerância bíblica não é conivente com o pecado. A verdadeira espiritualidade é alicerçada no único fundamento e fonte de verdade absoluta, as Escrituras Sagradas! Exige uma fé convicta, não vacilante! Exige firmeza e ousadia para se manter e defender as verdades absolutas das Escrituras.
Em meio a tudo isso, um fato se mostra mais triste e doloso: ver a falta de discernimento das pessoas, que seguem após esses líderes mercenários com suas “doutrinas de demônios” (1 Tim. 4.1). Até os defendem.
Que os antigos valores bíblicos sejam revisitados.
“Eles são do mundo, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve”. (1 Jo. 4.5).
Deus nos ajude.





5 comentários:
Infelizmente a recomendação paulina para não nos "conformarmos [tomarmos a forma] com este mundo" não tem sido levada em consideração.
A secularização, uma das características da Pós-modernidade, tem influenciado o consciente de muitos na igreja brasileira e mundial.
Para percebermos a gravidade da situação, no relato de John F. MacArthur que disse em seu artigo "Eu quero a Religião Show!" que existem igrejas nos USA promovendo shows de luta-livre dentro dos templos para "evangelizar os perdidos".
Parece-me que Maquiavél tem sido o professor de muitos, pois o princípio "os fins justificam os meios" é o mandamento praticado por pastores e membros. Desta forma, não importa mais o que a Bíblia diz, mas o que "eu sinto" ou o que pode dar lucro. Assim, os homossexuais são aceitos sem restrições, escândalos são abrandados e a busca do povo tem sido pelas "bençãos de Deus" e não pelo "Deus da benção!". Á semelhança das empresas capitalistas, apenas o resultado financeiro interessa, não importando o meio para consegui-la.
Esta é uma triste realidade que somente a vacina da pregação do Evangelho pode amenizar a situação caótica da igreja evangélica brasileira e mundial. Falo "amenizar", porque creio que estamos nos últimos dias quando "virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;"
Enfim, parabéns pelo excelente artigo irmão Diego!
Esse é precisamente o retrato de uma camada expressiva do que chamamos "Igreja Evangélica".
Acrescentaria apenas - para figirmos à síndrome de Elias - que há, sim, uma outra face da história. Existem, sim, em nossos dias também, os sete mil que não dobraram seus joelhos... Proponho que contentemo-nos com esta Igreja. É dela todo o potencial para ser a noiva, gloriosa e sem mácula.
Quanto à perspicácia do autor em diagnosticar nossas "doenças", dispensa-se comentários.
Apenas espero que sua voz profética seja ouvida. Se não for, todavia, o pastor tem cumprido sua vocação. E isto basta.
A Igreja agradece!
Deus te abençoe.
É meu amado irmão, retenhamos pois a fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos. Mergulhemos nas escrituras e desejemos ardentemente uma vida de santidade, busquemos ao Senhor não nos conformemos com este mundo...
Você falou verdades maravilhosas e desejo ardentemente que sejam ouvidas... Deus te abençoe...
Obrigado pelo artigo, Pr. Diego. De fato, muitas coisas, que envergonham Deus, estão acontecendo no movimento evagélico. Faço uma ponte, aproveitando o comentário do Pr. Ary, para lembrar que Deus tem mantido Sua Igreja, em meio a tanta luta. Nunca, na história do movimento evagélico do Brasil, houve tão grande procura por literatura reformada e puritanos, como está acontecendo em nossos dias. Há pessoas sensíveis aos estímulos e iluminação do Espírito Santo que percebem que essa "loucura toda", não é a loucura da pregação que Paulo retratou em 1Coríntios. Por essa razão, muitos têm buscado um retorno à literatura reformada, observando como nossos pais viveram e onde o movimento evangélico perdeu sua identificação com a Palavra de Deus.
Depois de reler o artigo e as postagens dos irmãos fico definitivamente convencida de que não me restaram muitas palavras que acrescentem alguma coisa mas que apenas complementem. Infelizmente em nosso Brasil o evangelho de Cristo foi descaradamente substituído em sua maioria pelo "evangelho" da graça barata (gosto muito desse termmo. Parte-me o coração saber que a cada dia igrejas evangélicas são fundadas para que sirvam para lavagem de dinheiro! Mas a pergunta fica no ar: O que a igreja tem feito contra isso? Atitudes como a sua de denunciar tais práticas e acima de tudo buscar em Deus brechas para a pregação do evangelho puro àqueles que vão a passadas largas para o inferno são o grande diferencial que necessita ser adotado.
No mais, só posso parabenizá-lo por excelente artigo.
Deus te abençoe.
Soli Deo Gloria
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